09 – Cartas na Mesa

Cartas na mesa

*Baseado na música: Shuffle Up and Deal

Obs: ligue a música antes de começar a ler ;)

Cada segundo era uma eternidade para Dante. O tempo parou antes que ele arrancasse de vez o coração de Filipo. E foi nesse momento eterno que notou o que estava fazendo de fato: acabando com a razão de sua existência, a coisa que mais amou na vida, seu irmão.

Ele tinha dedicado toda sua pós-vida para chegar naquele ponto, um grande jogo, apostando cada vez mais alto. Não apenas ele, os dois irmãos jogaram.

Dante imaginou uma sala escura, onde apenas uma coisa estava iluminada, uma mesa redonda, com um baralho de cartas e duas cadeiras. O embate final aconteceria ali, na mente de Dante. Um jogo que custou o limite dos dois, que durou 250 anos. Estava na hora de finalmente mostrarem suas cartas.

Os dois sentaram, cada um em seu lugar. Estava tudo ali, nenhum dos dois guardou nenhuma ficha para depois, não era uma partida para fracos, era o tudo ou nada.

Dois tolos brincando de esmagar pessoas a sua volta. Garotos disputando um brinquedo. E naquele momento ambos sabiam que não poderiam viver um sem o outro, sem aquele jogo. A troca de olhares, e era última partida.

– Esse é um jogo onde nenhum dos dois pode ganhar – começou Filipo virando o primeiro flop.

– E mesmo assim o jogamos por centenas de anos… – Dante aceitou a aposta e mandou virar novamente.

– Você já imaginou o que faria se eu não existisse mais? Sua vida foi dedicada a essa vingança! – mais uma carta estava na mesa.

– Já fomos longe demais para fugir agora – Dante decidiu não apostar ainda, sentir o que viria de Filipo a seguir.

Filipo sabia que pagar para ver lhe custaria a existência. Como arriscar quando sua vida está na mesa? Ele sabia que estava tudo na sua mão.

– Longe demais?! Só porque matamos algumas pessoas?

– Não apenas “algumas pessoas”, irmão. Matamos tudo que já tocamos. Eu sempre ansiei a morte, e não a temo. Não precisamos nos envergonhar, nossas vidas foram plenas!

As chances acabaram, era hora de mostrarem as cartas.

Dante permaneceu olhando profundamente para Filipo e tudo aquilo pareceu surreal. O algoz queria nesse exato momento retirar sua mão e abraçar seu irmão mais uma vez. Teve medo de chorar.

Porém, quando ameaçou retirar a mão, viu seu irmão assentir com a cabeça, sorrir e fechar os olhos lentamente.

– Hora de mostrar suas cartas, irmão, não se retire agora – Filipo ainda conseguiu falar.

Dante beijou sua testa e cravou os dedos em seu peito do lado esquerdo.

Com sua força sobre-humana ele perfurou pele e músculos. As luzes oscilavam com a excitação do momento e a adrenalina.

Ao sentir a caixa torácica, que protegia o precioso coração, Dante fechou os dedos e esmagou ossos, mas não conteve o avanço até chegar ao coração morto e seco de Filipo.

Ele vertia lágrimas de sangue ao retirar o coração do peito de seu irmão. E assim, com Filipo morto em seus braços, Dante viu o fim da sua própria vida.

 

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