08 – O Último Confronto

O último confronto

*Baseado na música: Rules of Engagement

Obs: ligue a música antes de começar a ler ;)

Um frio sobrenatural cobria a cidade devastada naquela noite de Maio. Caso fosse questionado a algum dos envolvidos no caos, nenhum saberia responder o porquê de tudo aquilo.

Não sabiam da morte de Alice, não sabiam do frenesi assassino de Rafael, não sabiam da vingança infantil de Dante e não sabiam do acerto de contas de Filipo. Porém, saqueavam e matavam como se a manhã não fosse mais chegar. Os que ainda tinham algum juízo trancaram bem sua casa e esconderam-se sob suas camas.

Não havia como negar a insanidade no ar.

Dentro da casa abandonada, que era palco de uma tragédia familiar, Filipo impulsionava seu corpo em direção a Dante, que gargalhava.

Colocou as mãos ao redor do pescoço de seu irmão mais novo e o prendeu na parede com violência, batendo a cabeça de Dante.

– Centenas de anos, Dante! Você me fez sofrer por centenas de ANOS!

Filipo gritava apertando o pescoço de Dante como se para apagar aquele sorriso, que não saía nunca.

Com a voz falha pela pressão na traquéia Dante conseguiu falar:

– A não ser que pretenda me decaptar com as mãos nuas, você sabe que não conseguirá me machucar dessa forma, não é?

Ao perceber que era inútil, Filipo soltou o pescoço de seu irmão enquanto Ricardo observava de longe, em um canto.

– Você fala de “centenas de anos”, mas sabe bem que escolheu assim, quando decidiu morrer e me deixar sozinho!

– Dante, quando foi que você enlouqueceu? Quando é que deixou que esse sentimento infantil destruísse tudo a sua volta?

Filipo abriu os braços como se estivesse mostrando toda a cidade.

– Talvez eu tenha enlouquecido na época em que fui jogado naquele manicômio! Aquele que você escolheu a dedo pra mim…

– Você é um imbecil! Tudo que eu fiz foi apenas para te proteger!

Filipo lembrou em ser ordenado a matar o pobre Dante, ainda humano, que ameaçava os imortais por revelar sua existência. Ele negociou muito para conseguir que seu irmão fosse “apenas” colocado de lado e considerado louco.

– Mas esse ciclo acaba aqui. Uma vez me recusei a aceitar a ordem de te matar, hoje estou aqui por conta própria para cumprir esse intento.

– Você falhou na promessa que fez para mim, sabe muito bem disso.

– Sim, eu falhei, meu irmão. Falhei em te proteger de si mesmo.

Eles se afastaram com os olhos fixos um no outro.

– Todas as vezes em que você fez bobagem eu estava lá para desviar a atenção de você, para que os mais velhos não o matassem!

– Olha só, Ricardo – gritou Dante para seu filho – meu irmão Filipo é um santo. Vá contar as suas histórias para alguém que não te conheça!

A troca de olhares era profunda, várias feridas se fechavam naquele momento e várias outras se abriam.

– Ora, se não tenho mais nenhuma dívida contigo, posso fazer isso!

Filipo foi novamente para cima de Dante com fúria. O pegou com uma mão e, com a outra fechada, esmurrava a cabeça de seu adversário.

Era notório que Filipo não tinha se dedicado a luta, mas à burocracia. A única coisa que o colocava em vantagem era a fúria e o sangue de Rafael em suas veias. Fitou os olhos que Dante que ainda não tinha reagido.

– O meu plano deu certo, não é? Você está com “ele” dentro de si… sugou a essência do rapaz. Eu sabia que faria isso! – disse Dante em tom triunfal.

Ele se deliciava ao ver Filipo cometer um pecado mortal.

E agora, com a certeza de seu plano, empurrou seu irmão mais velho com as mãos.

– Sabe a nossa diferença “grande líder”? Eu passei quase duzentos anos me preparando para te derrotar, enquanto você brincava com seus joguinhos de poder. Estudei, treinei, planejei. E você vem aqui com um ímpeto assassino?! Saiu da sua toca apenas para cair.

Dante percorreu a distancia entre eles em menos de um segundo e já estava girando o braço do seu oponente, o colocando no chão.

– E se meu plano deu certo, e eu acredito que sim, você tem os sentimentos dele também. E então – perguntou forçando o braço de Filipo – quer saber como eu a matei?

A loucura emanava de Dante reverberando pelo aposento e Filipo teve medo.

Não fazia idéia de monstro que seu pequeno irmão tinha se tornado, e pensou se era apenas sua culpa e de sua proteção exagerada, ou se seu amor o havia cegado para algo que Dante sempre tinha sido.

– Primeiro eu a imobilizei, assim como fiz com você agora. Impressionante como saber os pontos certos faz toda a diferença.

Filipo sentia muita dor, enquanto Dante torcia seu braço para trás.

– E tudo ficou ainda mais interessante quando fiz isso…

Dante apoiou seu pé nas costas de Filipo fazendo força, enquanto torcia seu braço direito em suas costas.

A aparente calma na voz de seu mestre foi o que mais assustou Ricardo, seu tom didático.

O vampiro mais velho gritava de dor ao sentir seu pulso sendo esmigalhado e seu ombro sendo deslocado. O som abafado de ossos partindo foi ouvido por Dante que decidiu forçar ainda mais, e só parou quando teve certeza que os ligamentos estavam rompidos.

Dante soltou Filipo no chão antes de começar a falar novamente.

– Você sabia que a pele é um órgão elástico, irmão? Já os ossos e os nervos não… fascinante, não acha?

Filipo começou a se regenerar enquanto Dante falava.

– Isso, se regenere… Sabe que tudo isso me deixou nostálgico! Foi tão satisfatório matar Alice!

Dante estava com sua típica cara de louco ao falar.

Filipo estava quase perdendo a cabeça, não sabia lidar com a dor, com ser derrotado e com o sentimento por ela. Mas no final, o que mais doía era ouvir Dante falar.

– Agora é a hora onde você torra seu sangue em uma tentativa de me acertar, quer ver?

O ódio subiu a cabeça de Filipo que levantou, indo de encontro com Dante. Porém, ao contrario do começo da luta, Dante não se deixou ser tocado por Filipo, que desferia golpes no ar. A falta de experiência em batalha era sua inimiga.

Com um chute rápido, no joelho esquerdo, Dante colocou Filipo no chão novamente.

– Opa, quebrei seu joelho?

Era uma fratura exposta, que Filipo deveria colocar no lugar antes de se regenerar novamente. Ele estava indefeso, mas mesmo assim Dante não acabava com aquilo. Parecia apreciar cada segundo, como se degustasse um vinho raro.

A cidade estava caindo e queimando, ruindo aos pés de Dante. O seu plano estava completo.

– Sabe, quando ela estava tentando colocar seu joelho de volta, foi quando mutilei seu rosto e cabelos. Mas não quero fazer isso com você, irmão. Ela era bela, com você não faz sentido.

Dante usou sua velocidade para puxar a perna direita de Filipo e quebrá-la, deixando as duas inutilizadas.

– Foi então que eu arranquei seu coração. Quer tentar? – perguntou Dante com seu sorriso no rosto.

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